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No trimestre móvel encerrado em mar/16 (jan-fev-mar), segundo dados do IBGE na PNAD Contínua, a taxa de desocupação foi de 10,9% da População na Força de Trabalho. Tal resultado demonstrou avanço de 1,9 p.p. ante trimestre anterior (out-nov-dez) e avanço de 3,0 p.p. na comparação com o mesmo tri encerrando em março de 2015. O resultado apresentado foi a maior taxa de desocupação da série histórica, que teve início em 2012. O resultado ficou marginalmente acima da mediana das estimativas do mercado e da nossa projeção, de iguais 10,7% para a taxa de desocupação.

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Na pesquisa apresentada pelo IBGE, a população desocupada foi de 11,1 milhões de pessoas, crescendo 22,2% (+2 milhão de pessoas) em relação ao trimestre anterior e aumento de 39,8% (+3,2 milhões de pessoas) ante mesmo trimestre no ano anterior, revelando a intensidade com que a crise tem afetado o mercado de trabalho. Por sua vez, a população ocupada (90,6 milhões de pessoas) recuou 1,7% em relação ao tri anterior e recuou 1,5% (-1,4 milhão de pessoas) contra o mesmo tri no ano anterior. O número de empregados com carteira assinada também recuou (-2,2%) ante o trimestre imediatamente anterior e retraiu 4,0% (-1,4 milhão de pessoas) frente a igual período de 2015.

O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores na média do trimestre até mar/16 (R$ 1.966) ficou estável frente ao trimestre de outubro a dezembro/15 (R$ 1.961) e retraiu 3,2% em relação a igual trimestre de 2015 (R$ 2.031). A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos para o trimestre encerrado em mar/16 (R$ 173,5 bi) ficou estável ante o trimestre anterior. Ante o mesmo tri do ano anterior a massa de rendimento recuou 4,1%.

Analisando a população de trabalhadores ocupados por grupamentos de atividade, em relação ao tri de outubro a dezembro de 2015, observa-se retração de -5,2% na Industria, -4,8% na Construção, -1,6 em Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas e -1,9% em Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais. Nos demais grupamentos houve estabilidade estatística.

Contra o trimestre encerrado em mar/15, os grupamentos que recuaram foram a Indústria (-11,5%) e Informação, Comunicação E Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (-6,3%). No sentido oposto, os grupamentos que registraram aumento do nível de emprego foram Transporte, Armazenagem e Correio (+4,3), Alojamento e Alimentação (+4,0%) e Serviços Domésticos (+4,3%) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (+2,4%). Os demais grupamentos mantiveram-se estáveis.

Analisando o rendimento médio real habitual por grupamento, na comparação com o tri de outubro a dezembro/15, considerando a margem de erro, houve estabilidade em todos grupamentos, exceto em Agricultura, pecuária, produção florestal, Pesca e aquicultura (-4,0%) e Serviços domésticos (+2,3%). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, apenas dois grupamentos de atividade apresentaram recuo considerando a margem de erro. Sendo estes: Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura (-8,0%) e Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-5,5%).

O resultado da PNAD segue demonstrando o efeito do forte ajuste recessivo, que tem impactado o mercado de trabalho. E, conforme temos destacado, este ajuste “clássico” recessivo continuará promovendo seus efeitos, sobretudo no mercado de trabalho, tragicamente aumentando ainda mais o estoque de desempregados. Não poderíamos esperar nada diferente nesse aspecto.

A inflação ainda elevada, juntamente a esta deterioração significativa no mercado de trabalho revelam os grandes efeitos do ajuste econômico em curso. Ademais o processo de ajuste no mercado de trabalho deverá continuar nos próximos meses ao longo de 2016 e até meados de 2017. Esperamos que a taxa de desemprego atinja 11% este ano.

Mantemos nossa perspectiva de melhora na dinâmica do mercado de trabalho apenas no segundo semestre de 2017, a medida que a expectativa com relação a demanda agregada futura for positiva e a eficiência marginal do capital compensar os investimentos a serem feitos.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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