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No trimestre móvel encerrado em ago/16 (jun-jul-ago), segundo dados do IBGE na PNAD Contínua, a taxa de desocupação foi de 11,8% da População na Força de Trabalho. Tal resultado demonstrou avanço de 0,6 p.p. ante trimestre anterior (mar-abril-mai) e avanço de 3,0 p.p. na comparação com o mesmo tri encerrando em agosto de 2015. Ante o tri imediatamente anterior (mai-jun-jul/16) a taxa avançou 0,2 p.p.. O resultado da taxa de desocupação apresentado superou o maior patamar já registrado da série histórica, que teve início em 2012. O resultado ficou marginalmente acima da nossa projeção, de 11,6% para a taxa de desocupação.

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Na pesquisa apresentada pelo IBGE, a população desocupada foi de 12 milhões de pessoas, crescendo 5,1% (+583 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e aumentando 36,6% (+3,2 milhões de pessoas) ante mesmo trimestre no ano anterior. Por sua vez, a população ocupada (90,1 milhões de pessoas) recuou 0,8% (-712 mil pessoas) em relação ao tri anterior (março a maio) e recuou 2,2% (-2 milhões de pessoas) contra o mesmo tri no ano anterior. O número de empregados com carteira assinada ficou estável ante o trimestre imediatamente anterior e retraiu 3,8% (-1,4 milhão de pessoas) frente ao mesmo período de 2015. Novamente, destacamos o movimento entre as pessoas que trabalhavam por conta própria (22,2 milhões), que recuou 3,2% em relação ao trimestre de mar/16 a mai/16 (-739 mil pessoas), juntamente com Trabalhador doméstico, que recuou -2,5% (-158 mil pessoas) no mesmo período de comparação. Ambos estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior.

O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores na média do trimestre até ago/16 (R$ 2.011) ficou estável frente ao trimestre de mar/16 a mai/16 (R$2.015) e também em relação a igual trimestre de 2015 (R$ 2.047). A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos para o trimestre encerrado em ago/16 (R$ 177 bi) ficou estável ante o trimestre anterior. Ante o mesmo tri do ano anterior, a massa de rendimento recuou 3,0%.

Analisando a população de trabalhadores ocupados por grupamentos de atividade, em relação ao tri de mar/16 a mai/16, considerando a margem de erro, os grupamentos que apresentaram queda foram: Indústria geral (-1,9%), Construção (-3,3%) e Serviços domésticos (-2,8%). Apenas o grupamento da Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (+1,9%) apresentou incremento no período, enquanto os demais permaneceram estáveis.

Contra o trimestre encerrado em ago/15, os grupamentos que recuaram foram da Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-2,8%), Indústria Geral (-11%) e da Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (-9,4%). Entre os que aumentaram, foram Transporte, Armazenagem e Correio (+4,4%), Alojamento e Alimentação (+5,3%) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (+3,5%). Os demais ramos permaneceram estáveis no período de comparação.

Analisando o rendimento médio real habitual por grupamento, na comparação com o tri de mar/16 a mai/16, considerando a margem de erro, houve estabilidade em todos grupamentos. Na comparação com o mesmo período do ano anterior apenas o grupamento de Outros Serviços (-5,7%) demonstrou recuo. Os demais grupamentos permaneceram estáveis neste modo de comparação.

O ajuste no mercado de trabalho tem sido reforçado em toda leitura da PNAD. Ainda que as expectativas sejam otimistas, a renda e o emprego devem seguir recuando, o que por sua vez tende a afetar negativamente a demanda agregada, atrapalhando a concretização das expectativas. Os rendimentos dos trabalhadores tem demonstrado certa resiliência, e foi analisado pelo Banco Central no relatório trimestral de inflação. Porém, apesar da demora, o resultado começará a ficar mais aparente nos meses à frente, a medida que as negociações salariais começarem a ser capturadas pela pesquisa.

Dessa forma, reforçamos que a deterioração do mercado de trabalho deverá começar a demonstrar seus efeitos na inflação especialmente no último trimestre. Ademais o processo de ajuste no mercado de trabalho deverá continuar nos próximos meses ao longo de 2016 e até meados de 2017.

Mantemos nossa perspectiva de melhora na dinâmica do mercado de trabalho apenas no segundo semestre de 2017, a medida que a expectativa com relação a demanda agregada futura for positiva e principalmente a eficiência marginal do capital compensar os investimentos a serem feitos. Para este fato se concretizar três variáveis serão chaves para serem acompanhadas, (i) o câmbio, (ii) a taxa de juros e (iii) a desalavancagem do setor privado. A taxa cambial, se seguir um novo ciclo de valorização, poderá abortar o processo de retomada, que tem acontecido via setor externo. A taxa de juros real precisa recuar de modo que possibilite a retomada dos investimentos de maneira mais ampla. Por sua vez, o processo de desalavancagem do setor privado ainda não se concluiu e o crédito caro e altamente restritivo tem contribuído para que esse processo se estenda por mais tempo.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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