Precision fitters and assemblers at work in the Ministry of Labour Training Centre at Waddon, England on May 19, 1931. Here, in a large factory building, miners from the depressed mining areas all over the country are being trained for entirely new jobs in a scheme which aims to cut unemployment figures. (AP Photo)

No trimestre móvel encerrado em jun/16 (abr-mai-jun), segundo dados do IBGE na PNAD Contínua, a taxa de desocupação foi de 11,3% da População na Força de Trabalho. Tal resultado demonstrou avanço de 0,4 p.p. ante trimestre anterior (jan-fev-mar) e avanço de 3,0 p.p. na comparação com o mesmo tri encerrando em junho de 2015. Ante o tri imediatamente anterior (mar-abr-mai/16) a taxa avançou 0,1 p.p.. O resultado apresentado atingiu o maior patamar da taxa de desocupação da série histórica, que teve início em 2012. O resultado ficou marginalmente abaixo da nossa projeção, de 11,6% para a taxa de desocupação.

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Na pesquisa apresentada pelo IBGE, a população desocupada foi de 11,6 milhões de pessoas, crescendo 4,5% (+497 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e aumento de 38,7% (+3,2 milhões de pessoas) ante mesmo trimestre no ano anterior, revelando a intensidade com que a crise tem afetado o mercado de trabalho. Por sua vez, a população ocupada (90,8 milhões de pessoas) ficou estável em relação ao tri anterior (janeiro a março) e recuou 1,5% (-1,4 milhão de pessoas) contra o mesmo tri no ano anterior. O número de empregados com carteira assinada ficou estável ante o trimestre imediatamente anterior e retraiu 4,1% (-1,5 milhão de pessoas) frente a igual período de 2015.

O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores na média do trimestre até jun/16 (R$ 1.972) recuou frente ao trimestre de jan/16 a mar/16 (R$ 2.002) e retraiu 4,2% em relação a igual trimestre de 2015 (R$ 2.058). A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos para o trimestre encerrado em jun/16 (R$ 174,6 bi) recuou 1,1% ante o trimestre anterior. Ante o mesmo tri do ano anterior, a massa de rendimento recuou 4,9%.

Analisando a população de trabalhadores ocupados por grupamentos de atividade, em relação ao tri de jan/16 a mar/16, considerando a margem de erro, observa-se estabilidade em todos grupamentos, exceto no grupamento administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, no qual houve aumento de 2,6%.

Contra o trimestre encerrado em jun/15, os grupamentos que recuaram foram da Indústria Geral (-11,0%) e da Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (-10,0%). Entre os que aumentaram, foram Construção (+3,9%), Transporte, Armazenagem e Correio (+5,0%) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (+3,1%) e Serviços Domésticos (+5,3%). Os demais ramos permaneceram estáveis no período de comparação.

Analisando o rendimento médio real habitual por grupamento, na comparação com o tri de jan/16 a mar/16, considerando a margem de erro, houve estabilidade em todos grupamentos, com exceção do Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas que recuou 5,3%. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, apenas quatro grupamentos de atividade apresentaram recuo considerando a margem de erro. Sendo estes: Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-5,9%), indústria geral (-5,3%), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-3,8%) e Outros Serviços (-0,6%). Os demais grupamentos permaneceram estáveis neste modo de comparação.
O resultado da PNAD segue demonstrando o impacto da recessão econômica sobre mercado de trabalho, ainda que em um ritmo mais brando. E a baixa atividade econômica, continuará promovendo seus efeitos, sobretudo no mercado de trabalho, tragicamente aumentando ainda mais o estoque de desempregados.
Tal deterioração deverá começar a demonstrar seus efeitos na inflação nos próximos meses, especialmente sobre a inflação de serviços. Ademais o processo de ajuste no mercado de trabalho deverá continuar nos próximos meses ao longo de 2016 e até meados de 2017. Tal cenário está em linha com nossa projeção para a taxa de desemprego de 2016 de 12,0%.

Mantemos nossa perspectiva de melhora na dinâmica do mercado de trabalho apenas no segundo semestre de 2017, a medida que a expectativa com relação a demanda agregada futura for positiva e a eficiência marginal do capital compensar os investimentos a serem feitos.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.
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