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No trimestre móvel encerrado em ou/16 (ago-set-out), segundo dados do IBGE na PNAD Contínua, a taxa de desocupação foi de 11,8% da População na Força de Trabalho. Tal resultado demonstrou avanço de 0,2 p.p. ante trimestre anterior (mai-jun-jul) e avanço de 2,9 p.p. na comparação com o mesmo tri encerrando em outubro de 2015. Ante o tri imediatamente anterior (jul-ago-set/16) a taxa ficou estável novamente, permanecendo no maior patamar já registrado da série histórica, que teve início em 2012. O resultado ficou marginalmente abaixo da nossa projeção, de 11,9% para a taxa de desocupação.

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Na pesquisa apresentada pelo IBGE, a população desocupada foi de 12 milhões de pessoas, permanecendo estável em relação ao trimestre anterior e aumentando 32,7% (+3,0 milhões de pessoas) ante mesmo trimestre no ano anterior. Por sua vez, a população ocupada (89,8 milhões de pessoas) recuou 0,7% (-604 mil pessoas) em relação ao tri anterior (jul a set) e recuou 2,6% (-2,4 milhões de pessoas) contra o mesmo tri no ano anterior. O número de empregados com carteira assinada recuou 0,9% (-303 mil pessoas) ante o trimestre imediatamente anterior e retraiu 3,7% (-1,3 milhão de pessoas) frente ao mesmo período de 2015. Novamente, destacamos o movimento entre as pessoas que trabalhavam por conta própria (21,7 milhões), que recuou 3,9% em relação ao trimestre de mai/16 a jul/16 (-891 mil pessoas), juntamente com Trabalhador no Setor Privado com Carteira, que recuou -0,9% (-303 mil pessoas) no mesmo período de comparação. Na comparação com o mesmo tri do ano anterior, os recuos foram de -3,2% (-725 mil pessoas) e -3,7% (-1,3 milhão de pessoas), respectivamente.

O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores na média do trimestre até out/16 (R$ 2.025) avançou 0,9% frente ao trimestre de mai/16 a jul/16 (R$2.006) e recuou 1,3% ante o mesmo trimestre de 2015 (R$ 2.052). A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos para o trimestre encerrado em out/16 (R$ 177,7 bi) não teve variação significativa ante o tri de maio a julho de 2016. Ante o mesmo tri do ano anterior, a massa de rendimento recuou 3,2%.

Analisando a população de trabalhadores ocupados por grupamentos de atividade, em relação ao tri de mai/16 a jul/16, considerando a margem de erro, os grupamentos que apresentaram queda foram: Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca E Aquicultura (-5,0%) e Construção (-4,0%). Apenas os grupamentos de Alojamento e Alimentação (+6,2%) e Outros Serviços (+3,2%) apresentaram incremento no período, enquanto os demais permaneceram estáveis.

Contra o trimestre encerrado em out/15, os grupamentos que recuaram foram da Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-5,1%), Indústria Geral (-9,1%), Construção (-6,6%), Comércio, Reparação De Veículos Automotores E Motocicletas (-2,6%) e da Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (-5,8%). Com aumento no período apenas o grupamento de Alojamento e Alimentação (+7,4%), ao passo que os demais ramos permaneceram estáveis no período de comparação.

Analisando o rendimento médio real habitual por grupamento, na comparação com o tri de mai/16 a jul/16, considerando a margem de erro, houve estabilidade em todos grupamentos, com exceção da Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca E Aquicultura, que avançou 4,3% e do grupamento Comércio, Reparação De Veículos Automotores E Motocicletas, que avançou 3,4%. Na comparação com o mesmo período do ano anterior todos grupamentos permaneceram estáveis.

No próximo tri a tendência é de recuo marginal da taxa de desemprego devido a sazonalidade. Acreditamos que a renda e o emprego devem retomar a trajetória de queda, e a taxa de desemprego voltando a se elevar no 1º tri de 2017. A situação do mercado de trabalho seguirá afetando negativamente a demanda agregada até que o desemprego se estabilize, juntamente com o rendimento real.

Com os dados mais recentes da inflação, já se constata que a deterioração do mercado de trabalho tem corroborado com a dinâmica da inflação, que tem surpreendido para baixo, especialmente neste 4º trimestre de 2016. Ainda que Serviços estejam apresentando certa resistência, mais a frente este grupo tenderá a ceder. Ademais o processo de ajuste no mercado de trabalho deverá continuar até o 3º tri de 2017.

Mantemos nossa perspectiva de melhora na dinâmica do mercado de trabalho apenas no segundo semestre de 2017, a medida que a expectativa com relação a demanda agregada futura for positiva e principalmente a eficiência marginal do capital compensar os investimentos a serem feitos. Para este fato se concretizar três variáveis serão chaves para serem acompanhadas, (i) o câmbio, (ii) a taxa de juros e (iii) a desalavancagem do setor privado. A taxa cambial, se seguir um novo ciclo de valorização, poderá abortar o processo de retomada, que tem acontecido via setor externo. A taxa de juros real precisa recuar de modo que possibilite a retomada dos investimentos de maneira mais ampla. Por sua vez, o processo de desalavancagem do setor privado ainda não se concluiu e o crédito caro e altamente restritivo tem contribuído para que esse processo se estenda por mais tempo.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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