schumpeter
Post por Renato Carvalho Intakli, Economista, CEO da parallaxis e membro do comitê industrial da FIESP.

Esse post é o terceiro da série “Tempos Modernos”. Caso queira checar os outros dois anteriores a este, clique aqui(1) e aqui(2) 

Além das transformações tecnológicas -Uma perspectiva Schumpeteriana

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No entanto, o processo de desenvolvimento do capitalismo, não se resume a analisar apenas novas técnicas de produção em “ceteris paribus”, mas sim incluídas num contexto que descreve um regime de acumulação por um extenso período de alocação entre consumo e acumulação, caracterizado pelos ciclos de Kondratieff e para isso é necessário pensar numa transformação tanto nos modos de produção como nos hábitos de consumo. As transformações na produção e no consumo implicam em uma variação conjunta não só das tecnologias produtivas.

O obstáculo mais complexo está na transformação dos indivíduos; empresários, colaboradores, entre outras categorias de agentes político-econômicas.

Logo, a crise é derivada do esgotamento de um ciclo de longo-prazo. Ao se alastrar pelo sistema passa a questionar o conjunto de normas que anteriormente foram acordadas entre capital e trabalho. A antiga organização social que sedimentou uma fase de progresso dá lugar para uma fase de transtornos próprios ao desenvolvimento do sistema de produção. Sendo assim, o conflito entre novas formas de produção abrem espaço para o questionamento das estruturas, e busca uma transformação tanto no sistema de produção quanto nos hábitos de consumo.

Todo o foco da crise, no entanto, foi reduzido à “rigidez” do planejamento burocrático, ou seja, a incapacidade de resolver rapidamente as questões num mercado mais dinâmico interligado pelas novas tecnologias, e com a necessidade de rápidas respostas a oferta e demanda. É a partir desse momento que a crise do fordismo se manifesta por colocar em questão a organização do trabalho.

“A “grande crise” desenvolver-se-ia globalmente, pois o “encaixe problemático” das mediações questionaria o conjunto das normas estruturalmente acordadas. O compromisso social que sedimentou os avanços da acumulação cede terreno aos “transtornos” próprios da História. Uma sucessão de explosões e conflitos assume o lugar da antiga reprodução coerente do sistema das formas. Fundamentando o progresso, a “essência” da relação salarial permanece, contudo, inacabada. Afinal, como explicar que os que dela se beneficiam contra ela se levantem” (BRAGA; 2003, p. 103).

 A instalação de uma nova linguagem permite que inter-relações complexas, hábitos, práticas políticas e formas culturais permeiem a sociedade capitalista, criando, dessa maneira, um ambiente para a implantação de algum processo de ordenação, gerando um grau de estabilidade para funcionar de modo coeso por um dado período de tempo num sistema altamente dinâmico e instável.

Sendo assim, a implementação de novos paradigmas de produção e consumo no tecido social vai muito além das horas de trabalho. Tanto a esfera da produção, quanto a esfera do consumo tem que passar por um período de transição, muitas vezes traumático, e assim, adaptar-se ao novo modelo de “controle do trabalho” e “condicionamento do consumo”, que envolve uma miscigenação de repressão, familiarização, cooptação e cooperação.

No “Tempos Modernos #4” vamos enfatizar a passagem do ciclo fordista para o ciclo informacional com enfoque na transformação dos modos de produção, e nos hábitos de consumo, colocando sempre como plano de fundo as teorias desenvolvidas por Schumpeter e os pós-schumpterianos. Para isso, faremos duas grandes divisões, a primeira se concentra nas práticas de consolidação e nos motivos de falência do modo fordista de produção; já a segunda busca uma ligação entre os aspectos que arrastaram o fordismo para sua falência e o florescimento do modo de produção pautado nas TICs.