Seizure_of_the_Zaibatsu_families_assets
Post por Renato Carvalho Intakli, Economista, CEO da parallaxis e membro do comitê industrial da FIESP.

Esse artigo é a quinta parte da série Tempos Modernos. Caso queira conferir os outros, clique aqui(1)(2)(3)(4)

O TOYOTISMO: A ASCENSÃO DO NOVO ZAIBATSU.

A nova forma de organização dos modos de produção, o toyotismo, foi constituída essencialmente, pela produção sem estoque e de resposta instantânea ao mercado, também é característica a imposição polivalente aos trabalhadores que serão alocados no processo produtivo, assim como o surgimento da necessidade de controle de qualidade no curso da ação produtiva, pela facilidade de acesso a informação possibilitando um controle simultâneo do processo produtivo pelos gerentes, por um nível de informação tão detalhado e autoritariamente filtrado para em caso de eventos nocivos a produção, acarretar complicações profissionais ao trabalhador. As transformações no processo produtivo aplicadas por Ohno constituíram a base do “Toyotismo”: o “Just-in-Time”, a automação, o “Andon”.

A ruptura observada frente à superação do Fordismo implica em que este buscou ganhos de produtividade crescentes, baseado na produção seriada de produtos padronizados e nas economias de escala. Ou seja, no modelo fordista, a linha de produção seria algo inflado e estaria fortemente atrelado a ao “paradigma produtivo”, onde, o nível de eficiência seria mensurado à rapidez do operário em seu posto individual de trabalho. Sendo assim, podemos concluir que o Fordismo seria um sistema de organização da produção adaptado a um período de rápida expansão da demanda agregada que agruparia a produção seriada e um “fábrica gorda”.

Já o Toyotismo foi a melhor saída para um patamar seguro de organização de um modelo de produção para uma conjuntura de crescimento econômico global lento. Ou seja, a grande novidade apresentada pelo Toyotismo foi o de engendrar um processo de produção mais afunilado e com a capacidade de abranger mercados distintos.

Já o método do “Just-in-Time” carrega o preceito em que o trabalhador do posto anterior abastecerá o próximo posto sempre que necessário. Causando um aumento exponencial tanto no processo de desespecialização e intensificação, com isso, fica clara a constituição de dois movimentos necessários de um mesmo e único processo de inovação nas formas de produção.

No Taylorismo, a lógica de produção se dá pelo avesso daquela observada no Fordismo. Ou seja, o início do processo de produção se forma no posto anterior, e só se faz para realimentar a secção em produtos realizados. Como decorrência desse processo teremos i) descentralização de uma partes das tarefas do processo de controle de fabricação efetuadas pelo departamento de métodos e ii) integração das tarefas de controle da quantidade dos produtos na própria fabricação. Logo, o “coração” do método incide em estabelecer, simultaneamente, dos fluxos reais da produção um fluxo de informação no sentido inverso, ou seja, o controle gerencial caminha no sentido dos postos finais aos postos iniciais da cadeia produtiva.

A última inovação nos processos de organização do trabalho, que é designada como linearização da produção, utilizando esse método, é possível garantir a redução do número de trabalhadores empregados caso haja uma queda na demanda. Ou seja, segundo as novas regras para o mercado de trabalho, o trabalhador não deve se limitar a operações extremamente específicas, mas deter um conhecimento polivalente do processo produtivo. Isso auxiliaria a cooperação informal de um trabalhador com os demais, logo, no caso de retração da demanda o volume de trabalhadores poderia ser reduzido, e o processo de produção acumulado sobre uma quantidade menor de funcionários. Para que isso ocorra, é necessário romper com o encadeamento de processos típico do Fordismo, passando a um sistema de equalização do processo produtivo em que, as entradas e saídas da linha estejam frontais umas as outras, assemelhando-se a uma forma de U.

No entanto, as práticas dos mecanismos analisados anteriormente só contemplavam 25% da força de trabalho japonesa ativa. O trabalho imigrante sub-remunerado corresponde a um nível muito elevado da produção japonesa. Ou seja, as formas de produção Ohnistas são imperfeitas e trazem benefícios a um grupo muito seleto de trabalhadores japoneses. Já que, de acordo com as formas Toyotistas de produção, a subcontratação de empresas como amortecedor de um processo enxuto fazem recair sobre essas as implicações anti-sistêmicas como conseqüências de flutuações cíclicas. Segundo dados, sabemos que, a Toyota forma fora da empresa cerca de 73% do valor total dos veículos.