Unemployment-People-need-jobs-protest

Em fev/16, de acordo com a última divulgação da Pesquisa Mensal de Emprego (substituída pela PNAD contínua), a taxa de desocupação das seis principais regiões metropolitanas no Brasil ficou em 8,2% da População Economicamente Ativa. Em relação a fev/15 o resultado demonstrou avanço de 2,4 p.p. e contra o mês anterior (jan/16) avançou 0,6 p.p.. Esta foi a taxa mais alta registrada para o período desde 2009.

g1

O resultado ficou acima da mediana das estimativas do mercado, de 8,1% e inferior a nossa projeção de 8,3% para a taxa de desocupação. Tal resultado confirma a tendência de deterioração do mercado de trabalho, bastante afetado pelo desemprego no comércio e outros serviços, além da indústria da transformação. Tendo isto em vista, esperamos que o ajuste no mercado de trabalho, tanto no nível da ocupação quanto dos rendimentos reais do trabalhadores seguirá ao longo de 2016 com bastante intensidade.

No relatório apresentado, segundo estimativas do IBGE, a população desocupada cresceu 7,2% em relação a jan/16, totalizando 2,0 milhões. Já com relação ao mesmo período do ano anterior, houve o incremento de 565 mil pessoas, resultando em um aumento de 39%. Por sua vez, a população ocupada foi estimada em 22,6 milhões de pessoas, recuando na comparação mensal (-1,9%) e na comparação interanual (-3,6% ou -842 mil pessoas).

Quanto a renda, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 2.227,50, representando recuo de 1,5% frente ao mês anterior (R$ 2.262,51) e 7,5% de recuo com relação a fev/15 (R$ 2.407,53). A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados somou R$ 50,8 bilhões em fev/16, recuo de 3,4% em relação ao mês anterior e 11,2% na comparação anual. Já a massa de rendimento real efetivo dos ocupados, que somou R$ 51,3 bilhões, em jan/16 (um mês de defasagem), recuou 21,5% no mês e -11,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Regionalmente, na comparação anual, houve crescimento da taxa de desemprego em todas as regiões. Em Recife, foi de 7,0% para 10,4% (3,4 pp); em São Paulo, de 6,1% para 9,3% (3,2 pp); em Belo Horizonte, de 4,9% para 7,2% (2,3 pp); em Salvador, a taxa passou de 10,8% para 12,6% (1,8 pp); em Porto Alegre, de 4,7% para 6,4% (1,7 pp) e no Rio de Janeiro, de 4,2% para 5,2% (1,0 pp). Na comparação contra jan/16, a taxa de desocupação subiu na Região Metropolitana de São Paulo (de 8,1% para 9,3%) e ficou estável nas demais regiões

Com relação ao rendimento médio real habitual, regionalmente e comparando contra o mês anterior, o rendimento recuou em Recife (-4,6%), São Paulo (-2,9%) e Rio de Janeiro (-0,6%). Avançou em Belo Horizonte (2,5%) e Salvador (0,6%) e ficou estável em Porto Alegre. Frente a fev/15, o quadro foi de queda em todas as regiões, sendo a maior delas em Salvador (-12,5%) e a menor em Porto Alegre (-5,3%).

Por fim, analisando o rendimento médio real habitualmente recebido por grupamentos de atividade, na passagem de janeiro para fevereiro, a maior queda foi na indústria extrativa e de transformação, distribuição de eletricidade, gás e água (-4,2%). Na comparação com fevereiro de 2015, a maior retração foi na construção (-12,8%).

g2 g3

Por fim, o resultado da Pesquisa Mensal de Emprego segue em linha com o que temos ressaltado e devemos continuar observando elevações na taxa de desemprego nos meses à frente.

A inflação persistentemente alta, juntamente a esta deterioração significativa no mercado de trabalho revelam os grandes efeitos da atividade econômica deletéria e do ajuste econômico. Os ajustes monetários e fiscais já em curso reforçam este prognóstico. Ademais o processo de ajuste no mercado de trabalho deverá ao longo de 2016.

Mantemos nossa perspectiva de melhora na dinâmica do mercado de trabalho apenas a partir de meados de 2017, a medida que a expectativa com relação a demanda agregada futura for positiva e a eficiência marginal do capital compensar os investimentos a serem feitos. Por fim, nos despedimentos da Pesquisa Mensal de Emprego, que dá lugar a PNAD Continua que continuaremos acompanhando e realizando as projeções. Tchau, PME! ;´(

Para ler em PDF, clique aqui!


 

Parallaxis Consultoria | parallaxis.com.br – R. São Bento, 329 – Cj. 94 – São Paulo, SP

Tel: +55-011-3101-1368

Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela Parallaxis Consultoria e é distribuído apenas para clientes, com a finalidade única de prestar informações sob indicadores econômicos em geral. Não possuindo a Parallaxis Consultoria qualquer vínculo com pessoas que atuem no âmbito das companhias analisadas, assim como a empresa não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com as companhias analisadas. Apesar de ter sido tomado todo o cuidado necessário de forma a assegurar que as informações no momento em que as mesmas foram colhidas, a precisão e a exatidão de tais informações não são por qualquer forma garantidas e a Parallaxis Consultoria por elas não se responsabiliza. Os preços, as opiniões e as projeções contidas nesse relatório estão sujeitos a mudanças a qualquer momento sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Este relatório não pode ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins.