USDA photo

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, USDA, em seu último relatório divulgado no dia 12/01/16, reduziu em aproximadamente 1 milhões de toneladas a produção de soja global desde sua última estimativa, passando de 320,10 para 319,00 milhões de toneladas. O resultado representa estabilidade em comparação com a safra passada, de 318,80 milhões de toneladas. Apesar de haver demonstrado recuo na projeção, o departamento manteve intacta a expectativa para a safra de soja no Brasil em 100 milhões de toneladas, abaixo da projeção da CONAB, de 102,11 milhões de toneladas e acima da projeção do IBGE de 97,04 milhões de toneladas. Por outro lado, o departamento aumentou a projeção para o esmagamento da oleaginosa, que deverá atingir 275,34 milhões de toneladas nessa safra, fortalecido por um incremento no processamento chinês, que deve passar de 74,5 milhões de toneladas para 80,7 milhões de toneladas. Com um aumento no consumo por soja em grãos, utilizado para a fabricação de farelo e óleo de soja, e uma redução na estimativa de produção, os estoques de passagem também foram revisados para baixo, em 79,27 milhões de toneladas, frente às 82,57 milhões de toneladas estimados no último relatório. image (17)

Os altos estoques globais de soja, em especial na Argentina que com as altas taxas sobre exportação durante o governo Kirchner levou muitos produtores a reter a produção à espera de melhores oportunidades de venda, e nos Estados Unidos, cujo a valorização do dólar em relação à outras moedas principais como o Euro, Libra, Iene e o Yuan, enfraqueceram a competitividade da soja no país, levando os estoques a dobrarem esse ano, devem continuar a exercer pressão negativa sobre os preços internacionais da soja. Ainda com relação à Argentina, as políticas de corte nas taxas sobre as exportações pelo novo governo Macri, tendem a elevar a competitividade do grão no país, o que poderá acarretar enfraquecer a procura por soja brasileira. No entanto, a queda na estimativa sobre a oferta pode ser analisada como um sinal positivo para conter a baixa nos preços, elevando a expectativa do mercado.

A produção de trigo e grãos utilizados para a ração de animais, incluindo o milho, deve ser de 1.997,3 milhões de toneladas, queda de 1,2% em comparação com o resultado de 2014/15. A produção de trigo deverá ser de 735 milhões de toneladas nessa safra, favorecido por um incremento na produção na China e na União Europeia. A produção dos outros grãos tende a ser de 1.261 milhões de toneladas, queda de aproximadamente 35 milhões de toneladas em comparação com a safra passada. O consumo global de trigo e outros grãos utilizados para fabricação de ração animal deverá ser de 1976,4 milhões de toneladas, queda de aproximadamente 4 milhões de toneladas em comparação com a safra passada. O uso de trigo e outros grãos na fabricação de alimento para animais, no entanto, tende a ser elevado em 17,2 milhões de toneladas, devido a um maior incremento no número de granjas nos principais países produtores. O uso dos grãos para ração deverá passar de 880,9 milhões de toneladas para 897,7 milhões de toneladas.image (18)

Após a produção global de milho haver atingido produção acima de 1 bilhão de toneladas na última safra, essa deverá recuar em 4% nessa safra, totalizando em 967, 9 milhões de toneladas. A retração na produção se deve a um recuo na produção nos Estados Unidos, -4,3%; no Brasil, -4,1% e na Argentina -3,4%. A produção na China, segundo maior produtor e consumidor do cereal, no entanto, deverá crescer em 4,1%. O consumo global do cereal também deverá ser reduzido nessa safra, queda de 1% em comparação com a safra passada, passando de 975,9 para 966,2 milhões de toneladas. Dessa forma, apesar de um recuo na produção, os estoques de passagem deverão aumentar em 0,7 milhões de toneladasimage (19)

Com relação à estimativa passada, o departamento reduziu tanto a estimativa para a oferta global quanto para o consumo global. A queda na estimativa não era esperada pelo mercado, a qual esperava resultados semelhantes ao do último levantamento, dado que toda a safra americana já foi colhida, e dessa forma, tende a trazer um maior otimismo no mercado. Para o Brasil, o aumento nas exportações esperadas para essa safra, que devem passar de 21,90 milhões de toneladas para 35 milhões de toneladas, com um milho mais competitivo dado a desvalorização cambial e de 2 milhões de toneladas no consumo doméstico, favorecido por um aumento nos animais em granja no país, devem manter os preços do milho em patamares elevados.

A produção de algodão em pluma deverá ser inferior ao consumo pela primeira vez desde a safra 2011/12, o que tende a acarretar em um recuo nos elevados estoques globais. A produção de algodão em pluma está estimada em 22,11 milhões de toneladas, 0,47 milhões de toneladas abaixo da última estimativa do departamento e 3,8 milhões de toneladas inferior ao resultado da última safra. O consumo global, por outro lado tende a se manter relativamente estável em comparação com a última safra. Dessa forma, os estoques de passagem estão estimados em recuar em 2 milhões de toneladas. Apesar dos estoques deverem recuar esse ano, esses ainda estão se mantendo elevados, correspondendo a 92,7% do consumo global devido em especial aos estoques chineses, de 14,04 milhões de toneladas.

image (20)

Além dos estoques globais ser uma complicação para o mercado de algodão, outros fatores poderão afetar o mercado, como a queda nos preços do petróleo, principal matéria prima para fabricação de material sintético, concorrente da pluma de algodão. No entanto, para o mercado nacional, a desvalorização do real e a baixa oferta de pluma de boa qualidade, ainda devem atuar positivamente nos preços para essa safra.

Para ler o relatório completo clique Aqui

Equipe de Economia Macro+Markets | parallaxis.com.br

email: economia@parallaxis.com.br


Parallaxis Consultoria | parallaxis.com.br – R. São Bento, 329 – Cj. 94 – São Paulo, SP
Tel: +55-011-3101-1368
Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado, Fábio Ralston e Klaus Troetschel.
Disclaimer:
Este relatório foi preparado pela Parallaxis Consultoria e é distribuído apenas para clientes, com a finalidade única de prestar informações sob indicadores econômicos em geral. Não possuindo a Parallaxis Consultoria qualquer vínculo com pessoas que atuem no âmbito das companhias analisadas, assim como a empresa não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com as companhias analisadas. Apesar de ter sido tomado todo o cuidado necessário de forma a assegurar que as informações no momento em que as mesmas foram colhidas, a precisão e a exatidão de tais informações não são por qualquer forma garantidas e a Parallaxis Consultoria por elas não se responsabiliza. Os preços, as opiniões e as projeções contidas nesse relatório estão sujeitos a mudanças a qualquer momento sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Este relatório não pode ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins.