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Os dados das vendas varejistas de mai/16, divulgados nesta manhã pelo IBGE, apresentaram recuo de 1,0% na passagem do mês, de abril para maio, com ajuste sazonal. Na comparação interanual, mai/16 contra mesmo período do ano anterior, as vendas do varejo apresentaram recuo de 9,0%. Em relação à nossa expectativa, os números surpreenderam para baixo, de modo que a projeção da Parallaxis era -0,2% m/m e -7,6% a/a.

Com relação ao conceito Varejo Ampliado (que inclui automóveis e material para construção) em mai/16, a pesquisa revelou recuo de 0,4% (expurgado os efeitos sazonais) na passagem do mês, e retração de 10,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Neste conceito, esperávamos avanço de 0,2% no mês e -8,0% na comparação anual.

Os primeiros cinco meses de 2016 das vendas varejo encerraram com forte recuo de 7,3%, comparado com o mesmo período do ano anterior. Na comparação com os cinco meses imediatamente anterior, a queda foi de 3,3%.

Em mai/16 o varejo restrito encerrou 12 meses com -6,5%, ao passo que no varejo ampliado a queda foi mais intensa, de -9,7%, especialmente devido ao desempenho das vendas de veículos automotores, que retraíram 16,5%, e material de construção -11,6%, no mesmo modo de comparação.

O resultado pior que o esperado não chega ser surpreendente, uma vez que esperamos continuidade da deterioração das vendas no varejo em 2016. O desempenho segue influenciado pela baixa confiança dos consumidores, a inflação ainda elevada, o crédito mais restrito, elevada taxa de juros, o aumento do desemprego e a queda do rendimento médio dos trabalhadores. E tais fatores não devem se reverter ao longo deste ano, mesmo que vejamos alguns resultados positivos nas próximas leituras. Na margem, a queda ocorreu em 6 (de 8) atividades, revelando-se um recuo disseminado.

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Na comparação entre mai/16 ante mai/15, nota-se que as oito atividades do varejo recuaram, sendo por ordem de contribuição: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-5,6%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-15,5%), Móveis e eletrodomésticos (-14,6%), Combustíveis e lubrificantes (-10,9%), Tecidos, vestuário e calçados (-13,5%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-2,6%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-14,4%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-24,2%). No varejo ampliado, ambos segmentos recuaram, sendo veículos e motos, partes e peças (-13,3%) e material de construção (-10,6%).

Na comparação com abr/16, 6 dos oito segmentos apresentaram resultados negativos determinantes para o avanço na margem. Aqueles que recuaram, foram: Combustíveis e lubrificantes (-0,4%), Móveis e eletrodomésticos (-1,3%), Artigos farmacêuticos, med., ortop. e de perfumaria (-0,8%), Livros, jornais, rev. e papelaria (-2,7%), Equipamentos e mat. para escritório informática e comunicação (-2,0%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,4%). A atividade de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo ficou estável, ao passo que Tecidos, vestuário e calçados avançou 1,5%, impactado principalmente pelas vendas relacionadas ao dia das mães. No Varejo ampliado, Veículos e motos, partes e peças avançou 1,0%, enquanto as vendas de Material de Construção recuou 0,4%.

Veja mais detalhes dos ramos de atividades que compõem o indicador, na tabela abaixo:

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Em linhas gerais, o setor deve recuar ao longo de 2016 devido ao aumento do desemprego, redução dos rendimentos reais do trabalhadores, restrição creditícia e inflação corrente elevada, o que tem colaborado para diminuir intensamente a demanda, especialmente, via confiança dos consumidores.

Levando em conta as Vendas no Varejo e os resultados da Produção Industrial, para o IBC-BR (índice de atividade econômica do Banco Central) de mai/16, estimamos que o indicador apresente recuo de 0,2% comparado com abr/16, livre de efeitos sazonais. Na comparação interanual, com mai/15, projetamos recuo de 4,6%.

Por fim, tal resultado está em linha com nossa expectativa para o PIB para 2016, de -3,5%, reforçando nosso cenário de forte contração e continuo aprofundamento da atividade econômica.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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