Foto: IRMO CELSO

Os dados das vendas varejistas de mar/16, divulgados nesta manhã pelo IBGE, apresentaram retração de 0,9% na passagem do mês, de fevereiro para março, com ajuste sazonal. Na comparação interanual, mar/16 contra mesmo período do ano anterior, as vendas do varejo apresentaram recuo de 5,7%. Em relação à nossa expectativa, os números vieram superiores de modo que a projeção da Parallaxis era -0,6% m/m e -4,7% a/a; e também superiores a mediana do Consenso AE-Broadcast: -0,6% m/m e -4,6% a/a).

Com relação ao conceito Varejo Ampliado em mar/16, a pesquisa revelou recuo de 1,1% (expurgado os efeitos sazonais) na passagem do mês e retração de 7,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Neste conceito, esperávamos retração de 0,2% no mês e -6,9% na comparação anual, ao passo que a mediana esperada pelo consenso do mercado era de -0,5% m/m e -6,8% a/a.

O primeiro trimestre de 2016 das vendas varejo encerrou com forte recuo de 7,0%, comparado com o mesmo trimestre do ano anterior. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a queda foi de 3,2%, em linha com o fraco resultado do PIB que esperamos para o primeiro trimestre deste ano.

Dessa forma, em mar/16 o varejo restrito encerrou 12 meses com -5,8%, ao passo que no varejo ampliado a queda foi mais intensa, de -9,6%, especialmente devido ao desempenho das vendas de veículos automotores, que retraiu 17,6%, e material de construção -10,9%. Os motivos para o desempenho das vendas varejistas seguem sendo a baixa confiança dos consumidores, a inflação ainda elevada, o crédito mais restrito, elevada taxa de juros, o aumento do desemprego e a queda do rendimento médio dos trabalhadores. E tais fatores não devem se reverter ao longo do ano, de maneira que o resultado deste mês devolveu parte do resultado do mês anterior, conforme havíamos antecipado. O resultado de março poderia ser esperado, ao passo que foi um mês de forte deterioração do mercado de trabalho, conforme observamos nos dados da PNAD.

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Na comparação entre mar/16 ante mar/15, nota-se que sete das oito atividades do varejo recuaram, sendo por ordem de contribuição: móveis e eletrodomésticos (13,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-11,9%); tecidos, vestuário e calçados (-14,1%), combustíveis e lubrificantes (-10,1%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,2%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-8,9%); livros, jornais, revistas e papelaria (-16,2%). Único segmento com desempenho positivo foi artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com avanço de 2,0%. No varejo ampliado, ambos segmentos recuaram, sendo veículos e motos, partes e peças (-13,5%) e material de construção (-14,7%).

Na comparação com fev/16, seis dos oito segmentos apresentaram resultados negativos. Dentre esses segmentos, os principais impactos negativos foram de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,7%); móveis e eletrodomésticos (-1,1%); combustíveis e lubrificantes (-1,2%); tecidos, vestuário e calçados (-3,6%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,5%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%). De maneira oposta, avançaram os segmentos de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6,1%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,7%).

Na ótica do varejo ampliado, veículos e motos, partes e peças e de material de construção recuaram em -0,5% e -0,3%, respectivamente.

Veja mais detalhes dos ramos de atividades que compõem o indicador, na tabela abaixo:

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Em linhas gerais, o setor deve recuar ao longo de 2016 devido ao aumento do desemprego, redução dos rendimentos reais do trabalhadores, restrição creditícia e inflação corrente elevada, o que tem colaborado para diminuir intensamente a demanda, especialmente via confiança dos consumidores.

Levando em conta as Vendas no Varejo e os resultados da Produção Industrial para o IBC-BR (índice de atividade econômica do Banco Central) de mar/16, estimamos que o indicador apresente recuo de 0,3% comparado com fev/16, livre de efeitos sazonais. Na comparação interanual, com mar/15, projetamos recuo de 6,0%. De tal sorte, se as projeções se confirmarem, o 1º tri apresentará recuo de 1,3% ante o tri imediatamente anterior e de -6,2% ante o mesmo tri do ano anterior.

Por fim, tal resultado está em linha com nossa expectativa para o PIB para 2016, reforçando nosso cenário de forte contração e continuo aprofundamento da atividade econômica.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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